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  • Foto do escritorPsicóloga Angelita Eccel

Idoso e a pandemia

Atualizado: 25 de out. de 2022


"Somos como animais presos em um zoológico".

Essa fala impactante foi de uma idosa, que escutei em um lar.


O período de pandemia vivenciado é difícil para todas as pessoas, porém uma das faixas etárias mais afetadas em período de pandemia é a dos idosos. Por várias razões, entre elas:

*Os idosos pertencem a um grupo de risco, por possuírem a saúde física e mental, muitas vezes, mais fragilizadas;

*Normalmente, nessa fase da vida, alguns idosos, mesmo antes de uma pandemia, já se sentiam ou se sentem isolados e esquecidos. Esse quadro de isolamento social se agrava durante catástrofes sociais. Para muitos, o prazer ou o objetivo, é ir ao mercado durante o dia buscar algo, somente para ter a oportunidade de conversar com alguém. Também, para aqueles que moram com a família era a forma de sentirem úteis.

*Os idosos, muitas vezes, possuem uma tristeza profunda, por não se sentirem pertencentes ao meio que vivem, sentem-se excluídos e sofrem pelo desamor.

*Algo para refletir, muitos idosos possuem dificuldades de lidar com as novas tecnologias. Além disso, às vezes a renda não é suficiente para pagar uma internet.

*Outro fator importante, que muitos idosos vivem em clínicas, casas lares e alguns recebem poucas visitas, outros ficam mais esquecidos por seus familiares. Então, em muitas ocasiões as visitas, que são para os colegas e amigos que dividem o mesmo espaço, em alguns momentos muitos idosos passam a acreditar que a visita é para eles também. Em pandemia as visitas são proibidas, isso faz com que muitos idosos entrem em extrema tristeza.


Precisamos pensar, que normalmente os idosos que não caminham ficam mais dentro do ambiente, pois necessitam de ajuda para se locomover.


Em visita que fiz a um lar, todo cercado por uma grade, fiquei pensativa com o discurso de uma senhora de 90 anos, porém extremamente lúcida.

“Sinto-me como um animal preso em uma jaula no zoológico, só existe uma diferença... Vocês não pagam ingresso para nos ver.”

Entretanto, essa expressão me atravessou de uma forma, por isso resolvi fazer essa escrita, a fim de elaborar, também para pensarmos juntos. O quanto faz sentido a fala daquela senhora, além disso muito simbólica. Pensando que muitos idosos possuem uma demência, outras doenças psíquicas e neurológicas.

Se refletirmos, não é só nos lares e clínicas geriátricas, que os idosos estão se sentindo aprisionados e sem expectativas. Inclusive, muitas pessoas tratam os idosos com descaso, outros como um estorvo.


Porém, precisamos olhar com carinho, empatia e amor. Cada um trás uma história, uma bagagem única, talvez possa carregar muito sofrimento e luta. E em períodos de pandemia, essa dor se intensifica por causa do isolamento social.


Enfim, que possamos ser tocados pelo sentimento do outro, usar a nossa criatividade e fazer algo que possa mudar essa situação como, por exemplo, ligar para esse idoso com uma palavra de conforto, fazer chamada de vídeo, se for possível falando de esperança. Fazer visitas mesmo que possa ser no portão. Aproveite a oportunidade para expressar o quanto você ama esse idoso, pontue o quanto ele(a) é importante para a família, que possamos reconhecer nele alguns potenciais.


Lembre-se, amanhã pode ser você a sentir-se enjaulado pela solidão, por tristeza, pela falta de afago e pertencimento. Talvez você não tenha a sabedoria para falar do seu sofrimento como essa senhora descreveu. Que possamos desenvolver a capacidade de otimismo em nós e no próximo, pois essas atitudes podem evitar culpas futuramente. Que possamos ser semeadores do bem.


Psicóloga Angelita Eccel






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